SOS – PAPAGAIOS, PERIQUITOS, MARACANÃ E ARARAS AVES EM RISCO.

(Imagem Reprodução Google)

Por * Job Jander Pinto da Purificação

Mais uma vez, sirvo-me deste espaço para alertar sobre espécies nativas, vulnerável a extinção, com o apoio do nosso amigo e conhecido por todos Alécio Brandão.

Desta vez o foco será os Papagaios, Periquitos, Maracanã e Araras.

Essas espécies são da família dos Psittacidae¹, aves com características diferenciadas das demais, com dois dos dedos voltados para traz, que são utilizados para segurar alimentos, bico forte e adaptado para descascar e quebrar alimentos, é também usado, como ponto de apoio para escaladas, cabeça larga,  com a plumagem bastante colorida na maioria dos exemplares e podem viver cerca de 80 anos. Esta espécie também é bastante inteligente, consegue reproduzir sons diversos, inclusive da voz humana, tornando-as espécies cobiçadas pelos caçadores e colecionadores de animais, aumentando assim o risco de extinção. Na época da reprodução, mesmo sendo espécie que tem a característica de voarem ou viverem em bando, chegando ao número de aproximadamente 15 ou mais indivíduos, são aves Monogâmicas², com postura de três ovos, incubação de 26 a 27 dias, onde os ovos são depositados em ocos de árvores, casas de cupim e em especial árvores da espécie palmeiras, os ovos são aquecidos unicamente pela fêmea, que deixam o ninho raramente no período de encubação, e são alimentadas pelos parceiros, após a eclosão dos ovos, os filhotes são completamente pelados, com apenas uma fina camada de penugem e totalmente dependentes dos seus pais, característica esse denominado: altriciais³,  e aos 70 dias de vida, deixam os ninhos.

Mal tratos, crime ambiental que prevê multa e prisão

São encontrados em varias regiões do Sudeste e Centro-Oeste, e no Nordeste ocorre no Maranhão, Pernambuco, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte e Bahia; encontrada também no Paraguai e na Argentina, e em outros continentes com florestas tropicais.

Tendo dito isto, vale lembrar que, no município de Macaúbas e regiões vizinhas, devido mais uma vez, como principal vilão do desaparecimento desta e outras espécies, se dão ao desmatamento, caça, queimada e a explorações imobiliárias desordenadas, que atingindo até os interiores mais distantes das cidades sede, eliminando parcialmente a Caatinga, principal habitat destas espécies.  Também há a cultura predatória de alguns moradores mais antigos, que passam suas tradições para seus descendentes, tanto da zona urbana, quanto da zona rural, e em destaque, a criação destes animais como mascotes, ou animais de estimação, criando laços afetivos intensos; são retirados alguns exemplares de seus ninhos, ainda bem novinhos, comercializados entre vizinhos, conhecidos e amigos, ação esta que caracteriza crime ambiental. E sem nenhuma orientação técnica, ou trato para com a ave, e por conhecimentos passados por gerações, os animais são alimentos de forma erronia, com alimentos pré-cozidos, utilizando sal em seu preparo, não sabendo, que esta atitude prejudica o crescimento e a má formação das penas, tornando o animal visivelmente abatido e maltratado, os humanizam, fazendo com que fiquem totalmente dependentes de nós, eliminando as chances de se reproduzirem, muitas destas pessoas os criam soltos, tentando minimizar suas atitudes e burlar as Leis Ambientais, alguns chegam a cortar as penas das asas, ou mutilam o animal, prejudicando para sempre o alçar do voou.

Como foi citado anteriormente, papagaiosperiquitosararasmaracanãstuinsjandaiascaturritasapuinscacatuas e calopsitas entre alguns exemplares de outras espécies como: mamíferos, peixes, répteis e até insetos são Monogâmicas: forma de relacionamento em que um indivíduo tem apenas um parceiro durante toda a vida, ou durante um determinado período da sua vida – chamamos a esta última de monogamia em série.

(https://www.mundodosanimais.pt/animais-selvagens/animais-monogamicos/).

Ou seja, uma vez capturados, e postos em cativeiros, estas espécies jamais encontrarão parceiros para se reproduzirem, ou os espécimes capturados adultas, que já se encontram em plena atividade reprodutiva ou sexual, perdem seus companheiros, e na maioria dos casos, sendo relatados por observadores e ambientalistas, jamais procuram outros parceiros, levando ao declínio da espécie, como alguns casos ocorridos no município e em regiões vizinhas, e levando-os a total extinção em outras localidades, como já ocorrido com a Ararinha-azul.

Ararinha Azul: Considerada EXTINTA na natureza (CITES I). O último exemplar desapareceu em 2000, restando pouco mais de 60 indivíduos criados em cativeiro, sendo a maioria fora do Brasil. Existe um grupo de estudo com esforços internacionais para recuperação da espécie, coordenado pelo IBAMA. Os efeitos positivos do real envolvimento da população local, promovido pelo Projeto Ararinha Azul em Curaça na Bahia (www.ararinha-azul.vila.bol.com.br) ainda são efetivos e ao mesmo tempo que se busca o aumento da população em cativeiro, se conserva o habitat específico, visando futuras reintroduções.

(http://www.projetoararaazul.org.br/).

É importante dizer, que as aves são grandes dispersores de sementes, que ajudam na germinação das matas, um elo da cadeia alimentar quebrado, prejudicam todo um ciclo. As árvores frutíferas nativas da Caatinga dependem da ajuda desses animais para sobreviverem, principalmente a Aroeira, cuja floração se dá de  junho a agosto, com a árvore totalmente desfolhada, e frutificação de agosto a novembro,  quando tem seus frutos ingeridos por estas espécies de aves, onde algumas sementes não são totalmente digeridas, passam intactas pelo aparelho digestivo, quebrando a dormência da semente, logo em seguida dispersada através dos dejetos, e/ou ao transporta-las para alimentar seus filhotes, venham a cair e germinarem naturalmente, diminuindo as chances destas árvores sumirem do Bioma Caatinga, unicamente e exclusivo da região Nordeste do Brasil, não existindo em nenhum outro local do planeta, e tão desprotegida e degradada pela ação humana.

Portanto, faço aqui este apelo, aos amantes da natureza e simpatizantes da causa, que orientem seus vizinhos e amigos, a NÃO capturarem animais silvestres, além de ser crime ambiental previsto na Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998., causam danos irreversíveis à natureza.

 

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* Job Jander Pinto da Purificação – Ambientalista  é Tecnólogo em Gestão Ambiental e Graduado em Direito Ambiental

Psittacidae¹: é uma família de aves pertencente à ordem Psitaciformes. Nela estão incluídos as ararasjandaiasperiquitospapagaiosmaracanãs e apuins.

Monogâmicas²: forma de relacionamento em que um indivíduo tem apenas um parceiro durante toda a vida, ou durante um determinado período da sua vida – chamamos a esta última de monogamia em série.

Altricial³: refere-se a um padrão de crescimento e desenvolvimento em organismos que são incapazes de se mover por si mesmos logo após a eclosão ou nascimento. A palavra deriva do termo em latim alere, que significa “cuidar, criar, alimentar”, e refere-se à necessidade dos juvenis serem alimentados e protegidos durante bastante tempo.[1] Espécies altriciais são aquelas cujos juvenis recém-nascidos ou eclodidos são incapazes de se movimentar, alimentar e termorregular sozinhos, e cuja visão muitas vezes não está ainda completamente desenvolvida

Referências:

Estudos: Município de Macaúbas e Ibipitanga – Bahia.

Baixio e Região Serrana.

02/07 a 02/08/2017.

http://www.wikiaves.com.br/maracana-verdadeira https://pt.wikipedia.org/wiki/Psittaciformes

http://www2.ibb.unesp.br/Museu_Escola/Ensino_Fundamental/Animais_JD_Botanico/aves/lista_aves_psittaciformes.htm

https://www.mundodosanimais.pt/animais-selvagens/animais-monogamicos/ https://pt.wikipedia.org/wiki/Psittacidae https://pt.wikipedia.org/wiki/Altricial

http://www.projetoararaazul.org.br

 


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